A História do Videoclipe - Parte 1/4

Este é o primeiro post de uma série de quatro, onde vou tentar contar um pouco da história do Videoclipe, esse que é parte importante no desenvolvimento ee solidificação da música no século XX e principalmente divisor de águas na promoção, difusão e massificação da cultura de mainstream, ou como a gente chama hoje: Cultura Pop.

E qual o primeiro videoclipe? A maioria dos leitores vai falar: Beatles em algum lugar dos anos 60, certo? Errado. O primeiro videoclipe nem tinha esse nome para falar a verdade. Voltamos um bocado no tempo para encontrar a primeira apresentação juntando imagem e video, exatamente 116 anos, o ano é 1894; O cinema apenas engatinhava, nem existiam as majores (gravadoras), e as "empresas de música" vendiam partituras para piano/violão e flauta.

A concorrência era grande. O número de compositores de partituras também, então como promover de forma diferenciada e fazer com que sua música se tornar um sucesso naquele ano? Os Americanos Edward B. Marks e Joseph W. Stern pensaram, pensaram e imaginaram juntar a projeção de imagens (não era bem cinema, mas uma série de imagens sobrepostas) com apresentação ao vivo para promover a música "The Little Lost Child" estava criado a "Illustrated Song" que seria a avó/avô do Videoclipe. O sucesso da empreitada foi tão grande, que a música atingiu a incrível marca de mais de 2 milhões de partituras vendidas promovendo assim um cem número de imitações do formato de promoção posteriormente...



Cartaz promocional de "The Little Lost Child" onde é possível ver a apresentação marcada para o Brooklyn em Nova Iorque, além das lojas em que seria possível comprar a partitura. Era o "videoclipe" provando-se desde o ínicio como uma forma de promoção de vendas


Pulamos um pouco no tempo e vamos encontrar o surgimento do cinema falado no final da década de 20. Era comum milhares de pessoas se dirigirem todos os dias as projeções para descansar e encontrar os amigos, da mesma forma que a sala de estar das casas se transformaram em ponto de encontro das famílias nas décadas de 50 e 60 por causa da televisão, o cinema era o ponto de encontro do americano médio. Pensando na experiência coletiva que era a "ida as salas" nessa época, o pessoal da Warner Brothers criou os "Musical Short Films", eram os famosos Vitaphones, onde a música não era impressa na película, mas sim em um disco a parte que rodava em sincronia (ou quase) com as imagens na tela. De curta duração, 6 minutos no máximo, os vitaphones eram a maneira de Big Bands e coristas da época se apresentarem para o grande público e venderem assim seus discos e shows.





O logo do projeto Vitaphone da Warner; E uma apresentação de 1933 do mesmo projeto com duração de 3 minutos. O Vitaphone era o intervalo entre filmes e o esquenta para a platéia


Andando mais um pouco na história chegamos a metade dos anos 30, a grande depressão ja tinha se abatido sobre o mundo, o "New Deal" de Franklin Roosevelt estava rodando a pleno vapor e o cinema: "A grande válvula de escape da América" crescia e criava mitos, sendo a Shirley Temple a mais emblemática deste momento. Com o advento da impressão do som na película, foi possível uma reviravolta na produção das mesmas e agora era possível imprimir ação a um tipo de arte meio marginal até então: A Animação!

Foi daí que o animador Max Fleischer introduziu pequenas animações antes e depois dos filmes, chamados de "Screen Songs" sucesso absoluto, no entanto foi com o gênio Walt Disney e suas "Silly Symphonies", que nada mais eram do que desenhos inteiros criados sobre uma música de sucesso, ou seja, primeiro vinha a música para só depois vir a construção das imagens, da mesma forma que acontece nos processos de criação do videoclipe hoje, que o processo tomou corpo. Daí para a concorrênte Warner Brothers criar seu produto foi um pulo, surgiram então os Looney Tunes (olhaí a turma do Pernalonga!!) e a Merrie Melodies exibidos antes dos filmes musicais que faziam grande sucesso antes dos filmes musicais do estúdio.





Uma das mais famosas Silly Symphonies de Walt Disney: "Flowers and Trees" e um exemplo de Merrie Melodies da WB: A Day At Zoo.


E assim estava armado o campo para o surgimento do videoclipe nas décadas seguintes, mas isso só vamos ver nos próximos posts. :)


Curiosidades:

- A maior parte dos desenhos sob a marca Merrie Melodies e Silly Symphonie, bem como seus fonogramas, hoje estão sob domínio público, visto que a propriedade intelectual sob os mesmos ja caiu.

- É possível ver as árvores de "Flowers and Trees" no filme "Uma cilada para Roger Rabbit (Who Framed Roger Rabbit, EUA 1988)", quando o detetive Eddie Valiant (Bob Hoskins) entra em ToonTown para procurar o assassino do seu irmão.

1 comments:

Marjorie disse...

Olá, gostei bastante do conteúdo que fala sobre a história do videoclipe. Estou fazendo TCC baseado na evolução dos videoclipes, e gostaria de saber se vocês podem me informar, se tiverem, o referencial teórico das informações postadas.
Grata.